3 de dez. de 2009

SABORES

Como poderia Jesus ensinar sobre o pecado sem conhecê-lo?
Como o terá conhecido sem experimentá-lo?
Poderia ter verdadeiramente perdoado seus algozes
antes de detestá-los com todo o seu ser?
Como teria escolhido o perdão
se antes não tivesse provado a explosão do ódio,
a amargura do rancor,
o desejo de vingança?
A menos que tenha perdoado por dever.
Por compulsão.
Porque lhe ensinaram que assim devia fazer para alcançar o Reino do Céu.
Se perdoou livremente,
por verdadeira e esclarecida convicção,
é porque teve diante, dentro de si, todas as possibilidades.
Saboreou a raiva.
Degustou a impotência.
Planejou a destruição de seus inimigos.
Somente esse mergulho radical no caos
faria de seu perdão um gesto
autenticamente
livre.

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