Nomes são chamados.
Eu tenho um nome iniciático.
Numa língua antiga, de uso meramente litúrgico.
Significa, entre outras coisas, "ovo" ou "fruto".
Significa que, em mim, a esterilidade estará sempre no horizonte do possível.
A menos que eu mude.
Por isso, para mim, viver não pode ser outra coisa a não ser o não ser.
Não ser o que está programado para mim.
Onde está escrito: seca, eu leio fértil.
Por isso é que, onde se lê "ovo", leia-se: "crie!"
UM ORI NA ENCRUZILHADA
De como encontrei e sigo buscando o Deus da Vida e da Morte, da Alegria e da Dor.
10 de ago. de 2011
2 de ago. de 2011
LOUVOR
Outro dia li isto por aí:
"Senhor, fazei com que eu vos louve neste dia."
Será justo pedir a ele que me dê forças para louvá-lo?
Funciona mais ou menos assim: eu creio que deva a você alguma coisa, mas não tenho como pagar. Então, peço a você - sim, a você mesmo - que me dê recursos com que possa pagá-lo.
Pode?
Mas existe algo pior do que essa matemática obscura.
É acreditar-se uma fonte seca, incapaz de gerar um mero pensamento, um ínfimo gesto de carinho para com Deus.
Será assim tão difícil arrancar do próprio íntimo esse louvor, que seja preciso pedir ao próprio Deus forças para tanto?
"Senhor, fazei com que eu vos louve neste dia."
Será justo pedir a ele que me dê forças para louvá-lo?
Funciona mais ou menos assim: eu creio que deva a você alguma coisa, mas não tenho como pagar. Então, peço a você - sim, a você mesmo - que me dê recursos com que possa pagá-lo.
Pode?
Mas existe algo pior do que essa matemática obscura.
É acreditar-se uma fonte seca, incapaz de gerar um mero pensamento, um ínfimo gesto de carinho para com Deus.
Será assim tão difícil arrancar do próprio íntimo esse louvor, que seja preciso pedir ao próprio Deus forças para tanto?
1 de ago. de 2011
DECISÃO
Gostaria de contar um pouco da minha história.
Sou alguém que topou com o Reino das Possibilidades e descobriu que é possível, sim, tornar-se alguém.
- Alguém diferente daquilo que os outros fizeram de mim. -
Eis o que tenho para oferecer hoje.
Mas, antes de contar, quero louvar.
Louvo a Esu, senhor da encruzilhada.
Louvo a Esu Marabo, mestre e guardião de meu Ori e minha vida.
Louvo às Nossas Mães Ancestrais, senhoras da vida.
Louvo aos meus ancestrais, alicerces da minha identidade.
Louvo a Falagbe Esutunmibi, meu pai para sempre, raiz de minha fé.
Louvo a Orisa Ogiyan, fonte de minha energia vital.
Louvo a Yemoja, meu sustentáculo, minha força motriz.
Louvo a Osun, rainha-mãe do mundo dos vivos.
Louvo a todos os Orisa Funfun, manifestações do Criador.
Louvo a Obalwaiye, rei e senhor da terra.
Louvo a Ogun, pai amoroso e exigente.
Louvo a Ologunede, rei da magia e do encantamento.
Louvo a Osumare, sacerdote por excelência.
Louvo a Oya, beleza e força sem igual.
Louvo a Osoosi - que será de nós sem você?
Louvo a Osanyin, mistério que me assombra.
Louvo a Yewa, cuja beleza me seduz.
Louvo a Erinle, paradigma de generosidade.
Louvo a Sango, o primeiro a ter a coragem de fazer escolhas.
Louvo os Elegbe, companheiros na existência.
Louvo a Ori, o meu Ori, protagonista desta história que é a minha.
Ase o!
E a minha história... as minhas histórias, eu vou contando aos poucos, conforme o coração pedir e a memória ajudar.
Um pouco a cada dia.
Sou alguém que topou com o Reino das Possibilidades e descobriu que é possível, sim, tornar-se alguém.
- Alguém diferente daquilo que os outros fizeram de mim. -
Eis o que tenho para oferecer hoje.
Mas, antes de contar, quero louvar.
Louvo a Esu, senhor da encruzilhada.
Louvo a Esu Marabo, mestre e guardião de meu Ori e minha vida.
Louvo às Nossas Mães Ancestrais, senhoras da vida.
Louvo aos meus ancestrais, alicerces da minha identidade.
Louvo a Falagbe Esutunmibi, meu pai para sempre, raiz de minha fé.
Louvo a Orisa Ogiyan, fonte de minha energia vital.
Louvo a Yemoja, meu sustentáculo, minha força motriz.
Louvo a Osun, rainha-mãe do mundo dos vivos.
Louvo a todos os Orisa Funfun, manifestações do Criador.
Louvo a Obalwaiye, rei e senhor da terra.
Louvo a Ogun, pai amoroso e exigente.
Louvo a Ologunede, rei da magia e do encantamento.
Louvo a Osumare, sacerdote por excelência.
Louvo a Oya, beleza e força sem igual.
Louvo a Osoosi - que será de nós sem você?
Louvo a Osanyin, mistério que me assombra.
Louvo a Yewa, cuja beleza me seduz.
Louvo a Erinle, paradigma de generosidade.
Louvo a Sango, o primeiro a ter a coragem de fazer escolhas.
Louvo os Elegbe, companheiros na existência.
Louvo a Ori, o meu Ori, protagonista desta história que é a minha.
Ase o!
E a minha história... as minhas histórias, eu vou contando aos poucos, conforme o coração pedir e a memória ajudar.
Um pouco a cada dia.
15 de dez. de 2009
COMPRAS
Aprendi que amor se compra.
Basta ter com que pagar.
Amor se conquista na base do agrado:
eu faço o que ele quer
e ele passa a querer a mim.
Se ele não quer nada
ou não sabe o que quer,
investigo, vou ao fundo da questão
e descubro como pegá-lo.
É simples.
É fácil.
É falso.
Basta ter com que pagar.
Amor se conquista na base do agrado:
eu faço o que ele quer
e ele passa a querer a mim.
Se ele não quer nada
ou não sabe o que quer,
investigo, vou ao fundo da questão
e descubro como pegá-lo.
É simples.
É fácil.
É falso.
4 de dez. de 2009
PERFUME
Li esta semana que o Big Bang não terá sido bem uma explosão violenta.
Terá sido, mais propriamente, como a abertura de um frasco de perfume.
Aroma que se espalha e não volta.
Será que se expande até sumir?
Ou será que volta,
como o gênio à lâmpada,
enganado por um pescador?
Terá sido, mais propriamente, como a abertura de um frasco de perfume.
Aroma que se espalha e não volta.
Será que se expande até sumir?
Ou será que volta,
como o gênio à lâmpada,
enganado por um pescador?
3 de dez. de 2009
SABORES
Como poderia Jesus ensinar sobre o pecado sem conhecê-lo?
Como o terá conhecido sem experimentá-lo?
Poderia ter verdadeiramente perdoado seus algozes
antes de detestá-los com todo o seu ser?
Como teria escolhido o perdão
se antes não tivesse provado a explosão do ódio,
a amargura do rancor,
o desejo de vingança?
A menos que tenha perdoado por dever.
Por compulsão.
Porque lhe ensinaram que assim devia fazer para alcançar o Reino do Céu.
Se perdoou livremente,
por verdadeira e esclarecida convicção,
é porque teve diante, dentro de si, todas as possibilidades.
Saboreou a raiva.
Degustou a impotência.
Planejou a destruição de seus inimigos.
Somente esse mergulho radical no caos
faria de seu perdão um gesto
autenticamente
livre.
Como o terá conhecido sem experimentá-lo?
Poderia ter verdadeiramente perdoado seus algozes
antes de detestá-los com todo o seu ser?
Como teria escolhido o perdão
se antes não tivesse provado a explosão do ódio,
a amargura do rancor,
o desejo de vingança?
A menos que tenha perdoado por dever.
Por compulsão.
Porque lhe ensinaram que assim devia fazer para alcançar o Reino do Céu.
Se perdoou livremente,
por verdadeira e esclarecida convicção,
é porque teve diante, dentro de si, todas as possibilidades.
Saboreou a raiva.
Degustou a impotência.
Planejou a destruição de seus inimigos.
Somente esse mergulho radical no caos
faria de seu perdão um gesto
autenticamente
livre.
PECADO
Sem pecado não há salvação.
Sem desejo não há prazer.
Sem medo não há coragem.
Quando a vida satisfaz todas as necessidades do vivente,
ele não passa de um animal.
Para se tornar humano, há que experimentar a dor, o pecado,
a sede e a fome.
Quem haveria de se aventurar?
Sem desejo não há prazer.
Sem medo não há coragem.
Quando a vida satisfaz todas as necessidades do vivente,
ele não passa de um animal.
Para se tornar humano, há que experimentar a dor, o pecado,
a sede e a fome.
Quem haveria de se aventurar?
PRAZER
Agora a vida é assim:
eu vivo, como, ando, e sinto um prazer enorme nisso tudo.
Estou gostando de cozinhar como sempre gostei de comer.
(Mas eu ainda quero uma louça autolimpante!)
Tenho curtido ficar sozinha mesmo quando não é preciso.
(E uma roupa autopassante.)
Descobri que não preciso fazer coisas bonitas, úteis ou significativas.
Na verdade, eu nem preciso fazer nada.
Poderia viver apenas cozinhando, lavando e passando.
É tudo a mesma coisa.
A diferença não está no que eu faço ou deixo de fazer.
A diferença está em quem faz.
Quando estou de bem comigo, tudo o que faço se torna fonte de prazer.
eu vivo, como, ando, e sinto um prazer enorme nisso tudo.
Estou gostando de cozinhar como sempre gostei de comer.
(Mas eu ainda quero uma louça autolimpante!)
Tenho curtido ficar sozinha mesmo quando não é preciso.
(E uma roupa autopassante.)
Descobri que não preciso fazer coisas bonitas, úteis ou significativas.
Na verdade, eu nem preciso fazer nada.
Poderia viver apenas cozinhando, lavando e passando.
É tudo a mesma coisa.
A diferença não está no que eu faço ou deixo de fazer.
A diferença está em quem faz.
Quando estou de bem comigo, tudo o que faço se torna fonte de prazer.
IPIN
Já quis ser jornalista, advogada, professora, médica.
Um pezinho em cada sonho.
Tantos primeiros passos,
algumas histórias,
saudade nenhuma.
Mas agora - ah, agora!
Enfim me lembrei do que fui, sou e serei.
Não fui feita para dar notícia,
nem fazer justiça,
ou dar lição ou saúde a quem quer que seja.
Já não sei o que quero ser
porque não quero ser nada
a não ser o que sempre fui, sou e serei.
Um pezinho em cada sonho.
Tantos primeiros passos,
algumas histórias,
saudade nenhuma.
Mas agora - ah, agora!
Enfim me lembrei do que fui, sou e serei.
Não fui feita para dar notícia,
nem fazer justiça,
ou dar lição ou saúde a quem quer que seja.
Já não sei o que quero ser
porque não quero ser nada
a não ser o que sempre fui, sou e serei.
ORI
Durante anos pedi ao deus um mestre.
Queria me sentir amparada na jornada da vida.
Diante de mim desfilavam tantos e tantas,
com tantas palavras e tão pouco a dizer,
que por fim julguei meu pedido inútil.
E era.
O deus ria de meu pedido
como sempre ri dos que pedem amor e não amam.
Queria me sentir amparada na jornada da vida.
Diante de mim desfilavam tantos e tantas,
com tantas palavras e tão pouco a dizer,
que por fim julguei meu pedido inútil.
E era.
O deus ria de meu pedido
como sempre ri dos que pedem amor e não amam.
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